Já faz algum tempo, um bom tempo que ouço relatos sobre o surgimento de uma nova era, de uma nova terra, de uma nova humanidade... Também ouso falar de crianças especiais (de índigo e de cristal) e de seres de fraternidades ocultas, de planetas invisíveis. Dizem que todos esses seres especiais estão aqui para nos ajudar...
Muitas pessoas estão se preparando para este futuro grandioso, para um novo ciclo... Centenas de livros e tratados já estão disponíveis com mensagens muito convincentes.
Também, existem aqueles que fazem alertas aterrorizantes - relatos do fim do mundo. Outros anunciam catástrofes, algumas delas com datas vencidas...
Não podemos deixar de citar aqueles que afirmam que uma nova era virá para um seleto e restrito grupo de escolhidos - provavelmente os mesmos que difundem este tipo de mensagem.
É muito comum encontrar essa gente estocando suprimento e se refugiando nas montanhas, precavendo-se dessas anunciadas catástrofes... Outros tantos, mais otimistas, acreditam que isso tudo pode ser evitado se as pessoas se abrirem para uns tais portais dimensionais, com freqüências extra-sensoriais, que fulminam a terra a partir de planos que não podemos acessar, tamanha a nossa ignorância.
Não estou aqui para desmentir, nem desmerecer todas essas previsões, crenças e nem tão pouco desmerecer as pessoas (em sua maioria de ótima índole) que criam e promovem essas linhas místico-ufológicas... Quero, apenas, dar a minha humilde contribuição, pedindo alguns instantes desse precioso tempo, para que façamos uma reflexão.
Creio que todas essas vertentes, mesmo aquelas que falam do “bem que está por vir”, tem como fundamento o medo psicológico. Vejam o que diz Eckhart Tolle:
“Esse tipo de medo psicológico é sempre de alguma coisa que poderá acontecer, não de alguma coisa que está acontecendo neste momento. Você está aqui e agora, ao passo que a sua mente está no futuro. Essa situação cria um espaço de angústia. E, caso estejamos identificados com as nossas mentes e tenhamos perdido o contato com o poder e a simplicidade do Agora, essa angústia será nossa companhia constante. Podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro...” (“Praticando o Poder do Agora” – Ed. Sextante)
Nossa mente é ardilosa. Ela cria “túneis de realidade” (realidade imaginária), associa conceitos (dados gravados no “hardware” mental) e projeta acontecimentos, tudo para minimizar os efeitos do seu medo.
Ao assentarmos a atenção no ser que “reside” no altar dos nossos corações - o ser que somos e que só pode ser contatado no eterno agora -, todo e qualquer medo mental deixa de ter importância. O medo do porvir é a forma mais clara de perda de energia. Energia que se gasta em previsões e ações de auto-preservação.
Ao nos reencontrarmos conosco mesmo, tiramos o foco do medo gerado pelo ego, passado a dirigir as nossas energias para as questões do presente – buscando soluções e colaborando nos inúmeros movimentos humanitários que promovem a cultura da paz, a conservação do meio ambiente, os direitos humanos etc. Muitos desses movimentos ficariam muito felizes em contar com a participação, a força - a energia - de mais e mais pessoas de bem, que descobriram que o futuro depende mais do fazer (agora) do que do saber (previsões).
Amir El Aouar
Praticista Self-connection