Causas do câncer

Nesse texto iluminado, o mestre Ken Wilber nos faz refletir sobre o que cada tradição explica sobre a origem do câncer. Leia o texto e aproveite e compre o livro lindíssimo sobre o tema: "Graça e Coragem". Nele Ken Wilber conta como sua amada companheira conviveu corajosamente com o câncer até sua morte...

Esteban Moreno

Causas do câncer (nas diferentes visões):

Cristã - A mensagem fundamentalista: a moléstia é basicamente um castigo de Deus para algum pecado. Quanto pior a moléstia, mais indizível o pecado.

Nova Era - A moléstia é uma lição. Você está se proporcionando essa doença porque existe algo importante que tem de aprender com ela a fim de continuar seu crescimento e evolução espiritual. A mente sozinha causa a moléstia e apenas ela pode curá-la. Uma requintada versão pós-moderna da Ciência Cristã.

Médica - A moléstia é fundamentalmente um desarranjo biofísico, causado por fatores biofísicos (vírus, traumas, predisposições genéticas, agentes ativadores ambientais). Você não precisa se preocupar com tratamentos psicológicos ou espirituais para a maior parte das moléstias, porque tais tratamentos alternativos são normalmente ineficazes e podem afastá-lo do cuidado médico adequado.

Carma - A moléstia resulta de um carma negativo; isto é, de alguma ação passada não-virtuosa que agora surge para ser vivenciada sob a forma de uma doença. A doença é "ruim" no sentido de que representa um passado não virtuoso; mas é "boa" no sentido de que seu processo de doença representa a consumição e a depuração da má ação passada; é uma purgação, uma limpeza.

Psicológica - Como colocado por Woody Allen: "Eu não fico com raiva; ao contrário, desenvolvo tumores". Ao menos na psicologia popular, a idéia é que emoções reprimidas causam moléstias. Em sua forma radical: a moléstia como desejo de morrer.

Gnóstica - A moléstia é uma ilusão. O universo manifesto inteiro é um sonho, uma sombra, e somente nos livraremos da moléstia quando nos libertarmos também da manifestação ilusória, quando acordarmos do sonho e descobrirmos a realidade do Uno além do universo manifesto. O Espírito é a única realidade e no Espírito não existe moléstia. Uma versão radical e um tanto descentrada do misticismo.

Existencial - A moléstia em si não tem significado. Conseqüentemente, ela pode assumir qualquer significado que eu escolha, e apenas eu sou o responsável por essas escolhas. Homens e mulheres são finitos e mortais, e a resposta autêntica é aceitar a moléstia como parte de nossa finitude, mesmo que impregnada de significado pessoal.

Holística - A moléstia é um produto de fatores físicos, emocionais, mentais e espirituais, nenhum dos quais pode ser isolado dos outros, nem ignorado. O tratamento deve envolver todas essas dimensões (embora, na prática, isso se traduza freqüentemente por uma não-aceitação de tratamentos ortodoxos, mesmo que eles possam ajudar).

Mágica - A moléstia é retomo. "Eu mereço isso porque desejei que Fulano morresse." Ou "é melhor eu não me sobressair demais, pois algo ruim me acontecerá". Ou "se acontecem tantas coisas boas para mim, algo mau tem de acontecer". E por aí vai.

Budista - A moléstia é uma parte inevitável do mundo manifesto; perguntar por que ela existe é o mesmo que perguntar por que o ar existe. Nascimento, velhice, doença e morte - essas são as marcas deste mundo, fenômenos caracterizados pela impermanência, sofrimento e perda. Só com a iluminação, na pura consciência do nirvana, a moléstia é finalmente transcendida, porque, então, o mundo fenomenal inteiro também é transcendido.

Científica - Qualquer moléstia tem uma causa específica ou um conjunto de causas. Algumas delas são determinadas, outras são simplesmente fortuitas ou devidas à pura sorte. De qualquer modo, não existe nenhum "significado" para a moléstia, somente oportunidade ou casualidade.

Fonte: Livro - Graça e Coragem
Autor: Ken Wilber
Editora: Global

Texto enviado por Esteban Moreno - Rio de Janeiro-RJ